ENTREVISTA MOSTRA CULTURAL – AVÓS GUILDA E MARILENE

O olhar das avós em direção aos netos é algo realmente especial. Foi o que equipe de comunicação da Primeira notou ao entrevistar Guilda Pedroso, avó da Maria Luisa (G4), e Marilene De Vuono, avó do Vitor (1º ano) e da Luisa (2º ano). Ambas as avós foram educadoras; Marilene deu aulas no Ensino Superior por 46 anos e se aposentou para passar mais tempo com os netos; Guilda foi professora do Ensino Básico por 27 anos, e quando questionada na Mostra Cultural sobre como a Escola tem contribuído com a sua neta, a avó respondeu: “A criança hoje constrói o conhecimento dela e eles conversam com a gente de uma maneira que você tem que pensar para responder.” Leia esta curiosa entrevista com as duas avós realizada na Mostra Cultural da Primeira.

O que a senhora pensa sobre a forma como a escola trabalha, que é centrar o aprendizado das crianças em torno de projetos, e nesse contexto a Mostra Cultural é o fechamento do trabalho que foi realizado junto às crianças durante todo o ano letivo?

Guilda Pedroso: Eu acredito que a própria criança sente a evolução do trabalho, ela pensa, “eu cheguei a concluir o que eu comecei fazer”, e isso é um grande passo para a vida inclusive, em oposição à desistência. Ela quer chegar ao final de uma construção que é dela, eu acho isso maravilhoso. E existe a possibilidade e o tempo para que isso seja realizado.

Marilene De Vuono: Eles levam os interesses que surgem na escola para casa e a gente acaba pesquisando junto com eles, através da internet ou de um jornal. A gente nota que eles estão aproveitando muito o que aprendem na escola. Isso é importante para a formação deles, eles não estão repetindo coisas que as pessoas estão falando, eles estão criando, aprendendo a pesquisar, e isso é muito interessante.

Como a escola tem contribuído com os netos das senhoras?

GP: Embora exista a atenção dos pais e os métodos dentro de casa, se não houver a escola com a estratégia pedagógica, com a dedicação do professor, do auxiliar, a criança acaba por não levar os progressos da escola para a casa, e isso não pode acontecer. O progresso que as crianças fazem na escola tem que ser percebido em casa e depois na vida. A criança hoje constrói o conhecimento dela, e eles conversam com a gente de uma maneira que você tem que pensar para responder.

MDV: A gente nota essa diferença. A criatividade das crianças é o que eu mais percebo.

As senhoras aprendem com os seus netos?

GP: Contamos ou não Marilene? (risos) Eu fui professora, e a Marilene também foi. Na verdade eu percebi uma mudança de comportamento meu, depois que eu me tornei avó. Sou mais calma, mais reflexiva, mais amorosa, e tenho a sensação de que também construí algo. Os netos também são como um projeto final de vida da gente, porque você tem filhos, aí você tem netos, então você vê que isso vai caminhando de uma forma para você participar, interagir e acaba por enxergar um resultado maravilhoso.

MDV: Eu me aposentei para isso e eu sinto a mesma coisa. O meu comportamento com relação a eles é totalmente diferente do que foi com as minhas filhas. O ensinamento para elas foi diferente.

Por que é importante estarem na Mostra Cultural e por que é importante estarem presentes na vida dos netos?

GP: Em razão da participação na vida das crianças, a participação na construção do projeto e na sua finalização.

MDV: Para eles a nossa presença é muito importante. Eu ainda brinquei com o Vitor, “a Mostra é para o papai e para a mamãe irem”, e ele disse, “não vovó, você tem que ver o que a gente está fazendo”. Eu participo de tudo e eles cobram. Você imagina que o Vitor fala assim, “vovó, você promete que você vai viver até eu ser adulto”.

 

By | 2017-12-16T18:31:29+00:00 dezembro 16th, 2017|Sem categoria|0 Comments

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