ENTREVISTA MOSTRA CULTURAL – ATELIERISTAS DA PRIMEIRA

A fala sensível e o olhar atento de ambas atelieristas da Primeira, Bia Nogueira e Simone Rocha, determinaram muito do que foi visto na Mostra Cultural da Primeira. Inclusive o conceito da Mostra, “A pele do mundo: narrativas do sensível”. Confira no Blog da Primeira a entrevista que as artistas concederam à equipe de comunicação da Escola. Nessa conversa elas falaram sobre o conceito da Mostra, parceria e co-criação, e a importância de, “sair para deixar as crianças entrarem”. Boa leitura!

 Como é estar na Mostra Cultural e ver todos os projetos desenvolvidos pelas crianças ao longo do ano?

Bia Nogueira: Ao mesmo tempo que eu sinto que uma etapa se conclui porque a gente vivenciou esse processo todo ao longo do ano, eu acho que com a Mostra tudo se configurou para ir além dela mesma, além das crianças, ir para a comunidade. A gente torna público esse trabalho é um momento de compartilhar uma série de conhecimentos, experiências e processos, que foram construídos com o tempo. Trabalhamos com tempo, ele vai dando elementos para gente sobre como fazer essa construção. É engraçado pensar que em um dia acontece uma coisa tão grande como a Mostra e que esse único dia é tão potencializado. As pessoas na Mostra estão realmente vivendo as propostas, muitas delas interativas, mas também existem apresentações, aquelas que você precisa olhar e “ler” e procurar entender o que está por trás daquilo. Existe esse sentimento da conclusão, que não teria tanto sentido se não fosse compartilhado com o público. A Mostra é muito importante para a gente ver como isso reverbera no olhar de alguém que não viveu esse processo todo.

Poderia falar sobre o conceito e a inspiração para a Mostra?

Simone Rocha: O conceito começa nas crianças, quando a gente ouve realmente o que elas têm a dizer. As crianças sempre têm muita coisa a dizer, independente da idade. Eles podem ser de G1, mas eles têm no não verbal muitos elementos para a gente pensar. E quando a gente cala para ouvir, para olhar, para sentir tudo isso, essa atitude leva a gente para outras dimensões, a gente sai da gente por que eles entram. O conceito vem muito dessa ideia, da porosidade, desse humano, dessa relação. Foi vendo todos esses processos, o que a gente vive juntos, eu e a Bia – porque nenhum trabalho é solitário, e também com as professoras, que nos encantamos. Eu e a Bia estamos juntas pensando o tempo inteiro, pesquisando.

Por que a ligação entre vocês duas é importante para a parceria?

BN: Acho que é o nosso motor. É uma sintonia que a gente tem, mas tem também a conquista de estarmos juntas diariamente, nossas trocas. Não teria sentido fazer sozinho. A hora que a gente senta para conversar, quando a gente se olha, tudo é parte dessa relação.

Como vocês trabalharam juntas no conceito?

SR: A gente tem uma paixão em comum que é a filosofia, entre tantas outras. Uma mãe falou para mim, “parabéns porque o que a gente vê na Mostra é além de tudo o que a gente vê por aí”. Ela apontou uma questão que se liga ao nível de profundidade que ela encontra em cada espaço, tem o aspecto da sensorialidade. Toda as crianças tiram a gente desse mundo, porque com o tempo paramos de ver as coisas, paramos de cheirar. Esse estudo não é aleatório, a gente estuda muito, pesquisa, o processo é uma co-construção por que vem das crianças, vem de nós, dos professores. Esse é o conceito, está na relação humana.

BN: As crianças são movimento e se a gente está atenta e entra, você troca de pele.

O que a Mostra Cultural representa para as crianças?

SR: Na minha visão é a maior valorização do que elas viveram na escola, com a gente. Existe todo um cuidado, todo um pensamento e energia voltada para isso. Ontem quando terminamos a montagem e paramos para olhar todos os ambientes e trabalhos, a Bia notou algo interessante, o carinho que cada um tem com o seu projeto. Para mim é isso, valorizar todas as potências que as crianças trazem.

BN: Valorizar e perceber que é importante para outras pessoas também. Que a Mostra serve para ver toda essa pesquisa de um outro ponto de vista, fora da rotina. Como é uma experiência que não está no cotidiano, uma experiência única num ano inteiro, isso marca. A Mostra aprofunda isso e todos levam lembranças, esse momento chega a ficar gravado em algum lugar. É um momento também festivo sem superficialidade. Existe uma dimensão de celebração, de conquistas, porque o projeto é uma conquista de conhecimentos, de relações, uma relação construída com o educador que diariamente esteve com a criança.

SR: E não acaba aqui por que as coisas estão fluídas. Mesmo que você desmonte, os protagonistas que estão vivendo isso estão aqui.

By | 2017-12-09T22:00:40+00:00 dezembro 9th, 2017|Sem categoria|0 Comments

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