No mundo dos sons

A música faz parte do cotidiano da Educação Infantil. Está presente nos diversos momentos de interação entre professor e aluno, seja cantando, ouvindo uma música, ou mesmo numa brincadeira de roda junto às crianças. Em um sentido mais amplo, ao estudar a organização temporal dos sons, “desvendamos as sutilezas de códigos sonoros que nos acompanham desde os primórdios evolutivos” (VIEIRA, 2006). Aguçamos nossa percepção sobre a complexa realidade que nos envolve e aprendemos a valorizar esta forma de conhecimento.

As características das músicas que escutamos em nosso cotidiano, desde pequenos, delimitam uma parte do nosso ser. Nossas memórias auditivas estão carregadas de afetos, significados e sentidos emocionais, que nos acompanham ao longo de nossas vidas, integrando a nossa identidade sociocultural.  Por isso, podemos dizer que a música é algo que está sempre associada à cultura e às tradições de um povo. E ainda que, através da música, conseguimos despertar emoções profundas e significativas, sentimentos e sensações.

As crianças começam seu contato com os sons já na barriga das mães – os sons dos líquidos do corpo humano e as batidas do coração e a voz da mãe são alguns dos primeiros sons. Já os bebês escutam sons do cotidiano, como: vozes, passos, carros, pássaros, chuva etc. Em relação à música, destacamos as cantigas de ninar e acalantos, que muitas vezes são cantados pelos familiares mais próximos. A música esta envolta por uma forte carga afetiva. Durante a infância, as melodias, ritmos, cantigas de roda e brincadeiras musicais dão sequência a vida musical da criança. De acordo com a Profa. Lydia Hortélio (2006):

A Música da Cultura Infantil é uma música com movimento, aliada à representação e a uma geometria no tempo. É uma música no corpo, próxima ao outro, com o outro, movida pura e simplesmente pela livre vontade de brincar… Sua prática proporciona o exercício espontâneo da música em todas as suas dimensões, mesmo que de forma elementar, e se constitui, por si mesma, a base de uma educação do sensível e pressuposto fundamental da identidade cultural. A música tradicional da infância representa, em todas as Culturas, a expressão mais sensível da alma de um povo. Assim é, pois, evidente, a necessidade de atentarmos para o cultivo da Música da Cultura Infantil.

Por meio da música e das brincadeiras musicais é possível despertar o convívio social,  capacidade de concentração e memória, trazendo benefícios ao processo de aprendizagem de cada criança, tornando-a um ser  social crítico, autônomo, reflexivo e criativo.

Além disso, o “simples cantar” pode beneficiar e ajudar na pronúncia de palavras, assim como dicção e fonética, além de contribuir e enriquecer o vocabulário musical e das palavras.

As canções trazem poesia, sensibilizando não só aqueles que escutam, mas também quem canta e produz sons, aproximando os pequenos à nossa literatura, às belas metáforas presentes nas letras, assim como sentimentos que trasbordam por meio dos sons e das letras.

É importante que se apresente as crianças além das canções, parlendas, rimas, ritmos e melodias, que fazem parte da cultura da Infância músicas do repertório Clássico, Popular e tradicional, criando a possibilidade de um enriquecimento cultural na  vivência musical dos pequenos.

Sabemos então, que todos nós passamos por diferentes experiências e envolvimento com a música, e que, naturalmente somos sensíveis a ela. Portanto enriquecer este mundo dos sons é permitir que crianças e adultos disfrutem desta linguagem tão singular. Afinal, como disse o grande compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos “Um povo que sabe cantar está a um passo da felicidade”.

 

Por Gabriela Vasconcelos Abdalla

By | 2018-10-01T21:59:36+00:00 outubro 1st, 2018|Sem categoria|0 Comments

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