ENTREVISTA MOSTRA CULTURAL – DIRETORA PEDAGÓGICA DA PRIMEIRA

Ao visitar a Mostra Cultural da Primeira fica evidente que lá as crianças têm a liberdade de utilizar suas diversas linguagens para se expressar e a equipe pedagógica está preparada para escutar atentamente todas elas e acolher as hipóteses que surgem a partir das explorações. A equipe de comunicação entrevistou na Mostra Cultural a diretora pedagógica da escola, Cristina Fernandes, sobre esse e outros temas. A respeito da troca entre crianças e professoras, Cristina afirma: “A grande riqueza dos nossos projetos é que eles nascem e se desenvolvem a partir de uma escuta legítima das crianças. A Mostra Cultural vem celebrar um ano de descobertas, contando um pouco sobre os processos vividos.”

Como é para você ver a Primeira cheia de vida na Mostra Cultural, com as famílias das crianças circulando por entre os projetos, com a materialização de processos que aconteceram ao longo do ano. Como você se sente e o que pensa sobre a Mostra?

Cristina Fernandes: Muito realizada. Eu me realizo aqui a cada dia, mas neste evento existe uma concretização de todo esse contentamento que vamos vivendo ao longo do ano. A escola vive de processos, ela valoriza os processos e a Mostra vem para contar um pouquinho de como eles aconteceram. Eu acho que esse é um diferencial da nossa Mostra. Ela não acontece simplesmente para mostrar um produto final. As crianças não se preparam para a Mostra como se tivessem que construir algo para ser apresentado. O objetivo é compartilhar os processos vividos. Nós procuramos cuidar dessa comunicação ao longo do ano, mas vemos que ela acontece muitas vezes só entre os pais envolvidos com as salas dos seus filhos. Aqui neste evento eu acho que é uma oportunidade dos pais conhecerem todos os projetos. De poderem ter uma visão maior do que acontece na escola como um todo, de como é que esses projetos se desenvolvem, como é que nós entendemos a aprendizagem, como as crianças estão presentes em cada um desses processos aqui apresentados.

Por que é importante para as crianças verem as pessoas que mais amam – seus pais e familiares, prestigiando seus projetos na Mostra Cultural?

CF: A criança vê mais um sentido para sua aprendizagem e percebe o quanto suas descobertas são valorizadas por todos que visitam a Mostra. Ela já é protagonista aqui no dia a dia, podendo se expressar e sendo reconhecida por isso, e esse é o momento de ampliar esse reconhecimento. Quando os pais se aproximam de suas aprendizagens e as valorizam, aí o circuito está fechado. Não tem bem maior.

Qual o efeito que uma Mostra tão bonita quanto essa tem para a equipe pedagógica?

CF: Valorização do trabalho em primeiro lugar. A equipe se sente valorizada, ela também adquire consciência do projeto bacana que foi desenvolvido, do quanto ela cresceu. Percebe que a reflexão e o investimento todo valeu a pena. Isso para o profissional é muito bom, você sentir uma valorização de todo o empenho, de todo o “mergulho”, de tudo o que foi construído e aprendido ao longo do ano. Tudo isso está sendo valorizado pelas famílias, pelas crianças, pela escola. Porque os elogios vêm de todos os lados! Mesmo antes de se abrirem as portas, a equipe já se sente muito orgulhosa do resultado final. Uma valoriza a outra, conhecendo mais a fundo outros projetos além do seu, e então a partir dessa troca, novas inspirações acontecem. Isso enriquece a equipe em ideias e principalmente em reconhecimento do trabalho.

Os projetos na Primeira nascem a partir da escuta das educadoras sobre os interesses dos alunos. Poderia comentar?

CF: Essa é a grande riqueza dos nossos projetos, porque essa escuta dos interesses das crianças acontece legitimamente aqui. Ela é verdadeira. O que as crianças trazem como questão é valorizado e acho que aí está a razão para elas se engajarem tanto nos projetos, porque elas se veem como protagonistas mesmo. Se os projetos já estão predefinidos, as crianças podem sim se interessar e se envolver, mas existe um engajamento de alma quando partem do interesse delas, quando se desenvolvem levando-se em consideração suas hipóteses. Isso traz uma potência para a criança que entendemos como fundamento para o aprender. É o que mantém a chama da curiosidade e um dos grandes valores da escola.

By | 2017-12-07T10:08:35+00:00 dezembro 7th, 2017|Sem categoria|0 Comments

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